Alcora: O Acordo Secreto do Colonialismo – Aniceto Afonso e Carlos de Matos Gomes


O Exercício Alcora foi o nome dado a uma aliança politica e sobretudo militar entre Portugal, Republica da África do Sul e Rodésia numa tentativa de garantir a hegemonia de governação branca na África Austral.

Nunca reconhecida externamente e escondida internamente, esta aliança funcionou um pouco como acto de desespero de um Portugal colonial incapaz de manter as suas “províncias” ultramarinas e da ambiguidade da sua posição ao assumir-se sempre como um regime multi-cultural e racial ao invés dos regimes de apartheid da Republica da África do Sul e Rodésia.

Este livro mostra-nos um estudo aprofundado das razoes que deram origem ao Exercício Alcora, das manobras para a sua criacao e o seu final com a Revolução de 25 de Abril de 1974. Cheio de documentos obtidos dos arquivos da Torre do Tombo, da correspondência de Marcelo Caetano é uma obra imprescindível para a compreensão do Portugal ultramarino do pré-25 de Abril, demonstrando a ambição sul-africana e a fragilidade portuguesa num mundo em mutação em que os jogos internacionais entre os blocos capitalista e comunista se apresentavam num dos pontos fulcrais do futuro africano.

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A Mão do Diabo – José Rodrigues dos Santos


Ler um livro do José Rodrigues dos Santos é quase como ver o Telejornal… passa num instante! Parece que as 500A Mão do Diabo e tal páginas irão demorar meses a ler, mas ao fim de um dia/noite já o livro está completamente devorado. Um misto de acção/informação com os capitulos a sucederem-se e quando terminam, chamam pela leitura do seguinte. Enfim, no mínimo, inteligente!

Mas afinal o que é “A Mão do Diabo”? Em grande parte do livro, é um “Crise Económica para tótós”! As razões da crise estão lá todas explicadas com o detalhe de um artigo aprofundado da Economist, e ainda uns salpicos à má gestão/corrupção dos políticos portugueses. Não sairão seguramente muitos amigos na política portuguesa a darem os parabéns a José Rodrigues dos Santos depois deste livro.

Mas afinal este livro não era para ser um romance? É que história mesmo, acção, acaba por haver muito pouca e isso não é muito abonatório. E depois, quando parecia que estavamos no centro de uma teia internacional de crime, a persistência no caso específico português tira muito do interesse ao livro.

Para a próxima será melhor dividir o livro em um artigo de economia numa revista de economia e um livro de intriga internacional.

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The Lost Symbol – Dan Brown


Estar a comentar um livro do Dan Brown não será trazer nada de muito novo. Fica então um pouco da história da leitura do livro.

Adquiri o livro em inglês em formato Kindle passado umas semanas após ele ter saído em 2009. Comecei a ler avidamente como fiz com todos os livros anteriores do autor (curiosamente, apenas li o Código Da Vinci em português tendo optado por ler todos os outros em inglês), mas parei a cerca de 40% do livro. Fiquei sem bateria no Kindle e não conseguia encontrar o carrregador.

Esqueci-me completamente do mesmo até há cerca de 2 meses, quando estava a organizar os livros para Kindle no meu Asus Eeepad e comecei a lê-lo do início. A princípio a leitura não foi nada fluída (maus hábitos de leitura em língua inglesa também ajudam), mas na última semana ultrapassei os últimos 50% sem grande dificuldade.

Conclusão sobre o livro: A escrita é igualmente fluída como os anteriores livros de Dan Brown. A junção entre a ciência, a religião e a maçonaria, continuam lá e continuam a interessar no meio de um enredo familiar de traição e morte. Mas notei algo no fim: A 90% da leitura o enredo do livro já terminou e começa a lição de ciência cruzada com religião, sem qualquer desenvolvimento da história. É como ler um livro de John Le Carré e no final ter 2 capítulos sobre a Evolução das Especies de Charles Darwin. Evitável.

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Índia – Uma biografia íntima – Patrick French


Quando adquiri Índia – Uma biografia íntima, estava à espera de encontrar um livro de história sobre um país/subcontinente tanto falado e tão pouco conhecido. A visão da Índia sempre transpareceu uma aura de mistério religioso e muitos preconceitos em doses elevadas.

O que encontrei foi um livro de histórias sobre a Índia, um livro de histórias das pessoas que construíram a Índia desde sobretudo o ínicio do século XX até aos dias de hoje. Histórias de pessoas influentes a nível político, económico e social, mas sobretudo histórias da vida de pessoas simples e como as mudanças que ocorreram durante cerca de 100 anos afectaram a próxima maior população do planeta Terra.

A divisão entre três áreas: Política, Economia e Sociedade foi extremamente inteligente, embora muitos dos fenómenos se entrelassem sem nunca se perder o foco.

O título é efectivamente apropriado, uma vez que o autor Patrick French interage frequentemente com as pessoas que contam a sua história e não raras vezes introduz a sua opinião sobre determinado assunto (extravasando em muito o simples relato ou mesmo comentário).

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Steve Jobs – Walter Isaacson


Não! Não sou um consumidor ávido de tudo o que a Apple alguma vez produziu! Nunca tive um Mac, um iPod, um iPhone, um iPad e sinto-me feliz ainda assim! Estarei no outro extremo, o dos hackers, o dos fiéis do open-source (embora consuma muitos dos produtos da Microsoft), o da livre escolha do consumidor! Mas não posso deixar de respeitar tudo o que a Apple tem feito e sobretudo Steve Jobs fez por um mundo em constante mutação tecnológica. Ele impulsionou a mudança, foi pró-activo e não reactivo, criou necessidades que ainda não nos tínhamos apercebido que tínhamos e, por isso, é reverenciado por todo o mundo.

Desta forma, quando foi lançado a biografia pouco depois de ter falecido, foi com enorme curiosidade que adquiri o livro. Não em papel! Uma das mudanças que Steve Jobs impulsionou foi a de passar as publicações do papel para o digital e eu o segui. Em vez de um iPad, comprei um EEEPad da Asus. Em vez de comprar livros em formatos digital no iBooks, comprei na Amazon para Kindle. Mas no fim, a necessidade criada por Steve Jobs estava lá. Segui a orientação mas deixei os trocos em outros bolsos.

E a descoberto de Steve Jobs foi uma revelação para mim. A biografia está centrada no ser humano e não nos sucessos que ele atingiu. A sua infância e adolescência como filho adoptivo, os seus desvarios na juventude, as relações tumultuosas com família, amigos e colegas de trabalho, a estabilidade na idade adulta, a luta final contra o cancro. E no meio de tudo isto, a visão para criar alguns dos produtos que mais revolucionaram a vida do ser humano no último século.

Encontrei um Steve Jobs que vivia num campo de distorção da realidade que lhe permitia fazer os outros chegarem mais longe do que alguma vez imaginaram, uma pessoa que só consegui viver da honestidade pura e crua (e muitas vezes bruta), um competidor nato capaz de tudo para chegar à frente dos restantes, mas sobretudo um ser humano sensível, capaz de chorar compulsivamente que no final da sua vida tentou sobretudo deixar um legado aos seus filhos ainda maior que aquele que deixou ao mundo.

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A Mente Louca dos Grandes Líderes Mundiais – Nassir Ghaemi


O título do livro pareceu-me apelativo, a capa que apresenta os retratos de Winston Churchill, George W. Bush, John Fitzgerald Kennedy e Adolf Hitler também e eis-me a comprar um livro sobre a mente de alguns dos líderes mais conhecidos do passado, esperando que se trate de um livro interessante e cheio de curiosidades.

O livro não defraudou muito as minhas expectativas. Trata-se de um livro que apresenta muito de psicologia, com conceitos e evolução da disciplina e os aplica à análise de diversas personagens históricas que marcaram o mundo no seu tempo.

O objectivo foi demonstrar que os grandes líderes em tempos de crise, sofriam de doenças do foro psicológico que os tornava mais aptos a enfrentar esses momentos complicados de liderança. A contrapor colocou alguns líderes que não sofriam de doenças do foro psicológico que fracassaram em momentos de crise.

Desta forma, Nassir Ghaemi apresentou os maníacos William T. Sherman e Ted Turner, os deprimidos Winston Churchill e Abraham Lincoln, os empáticos Mahatma Ghandi e Martin Luther King, Jr e os hipertímicos Franklin D. Roosevelt e John F. Kennedy. Mas também apresentou o bipolar Adolf Hitler.

Do outro lado, como líderes “sãos” falhados colocou Neville Chamberlain, George McClellan, George W. Bush e Tony Blair.

Sinceramente, a tentativa de prova do livro pareceu-me sempre “forçada”, embora colocando sempre várias situações que comprovam a sua teoria, a busca incessante da prova tirou algum do interesse ao livro. Ainda assim, algo de novo descobri e, por isso, valeu a pena lê-lo.

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1494 – O Papa, os Reis e o Mercenário – Stephen R. Bown


Olhando par ao título do livro (1494) e a capa com a referência Tratado de Tordesilhas, ficamos com a ideia que este livro não será mais do que uma resenha histórica desse evento que dividiu o mundo em dois: um espanhol e outro português.

Nada mais enganoso! Efectivamente o subtítulo (O Papa, os Reis e o Mercenário) indica muito mais do que trata o livro. O Tratado de Tordesilhas é apenas considerado como um ponto no meio do livro, sendo dada maior importância ao casamento dos Reis católicos espanhóis (Fernando de Aragão e Isabel de Castela) e todos os antecedentes (a rejeição do casamento com o rei português Afonso V) e consequências, a ascensão do Papa Alexandre VI, a viagem de Cristóvão Colombo e a do “mercenário” Fernão de Magalhães, para não falar do “Mare Libertum” de Hugo Grotius e a ascensão de outras potências marítimas europeias, como a Holanda e a Inglaterra.

Tudo isto num livro de leitura interessante levando-nos a cada um desses períodos com leveza, com alguns relatos da época e detalhes divertidos. No fim, provavelmente não teremos absorvido muito mais informação do que aquela que já dispúnhamos mas conseguimos enquadrar muitos eventos numa sequência lógica, que até agora nos parecia completamente independente.

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